Cultura corporativa e transformação digital na prática

04/12/2020

O passo a passo para que a identidade da companhia faça parte de seu processo de mudança e modernização

Promover a transformação digital das empresas foi a palavra de ordem no mundo corporativo em 2020. Mas isso resultou em processos incompletos, que se restringiram a colocar o produto ou serviço nas redes sociais. É preciso mais, segundo Alexandro Barsi, CEO da Verity. De acordo com o especialista, para transformar um negócio, é necessário envolver os colaboradores, os processos internos e, principalmente, a cultura da companhia.

Uma pesquisa da Columbia University, dos Estados Unidos, mostra que empresas com cultura forte tendem a ter apenas 13% de turnover, enquanto as com cultura fraca têm 48%. O levantamento também revela que, quando há engajamento dos colaboradores, a rentabilidade chega a ser 21% maior. Já outro estudo feito pela Deloitte, com três mil executivos em 106 países, apontou que 94% deles vêm na cultura um ponto importante para o sucesso dos negócios.

Por isso, Alexandro Barsi separou algumas dicas para transformar a empresa de ponta a ponta. Confira:

Saiba identificar a cultura da sua empresa.

A cultura é como a personalidade de uma companhia. “É a identidade, é como a companhia é vista, como as coisas são feitas e, o mais importante, porque são feitas. Para o mercado, cultura é o que a organização como entidade comunica para seus membros, funcionários, clientes e público em geral”, explica Barsi. “Ela pode se manifestar de várias maneiras, por meio de mensagens diretas e claras, simbolicamente ou por meio de produtos ou traços comportamentais sutis.”

Invista em uma cultura forte!

Para o executivo, muitas empresas se colocam em plataformas digitais, mas não atualizam seus processos internos, ou seja, sua cultura. “Seja dentro o que você está mostrando para fora. Além de atrair bons profissionais, uma empresa com uma cultura saudável gera uma organização mais horizontal, reduz a burocracia e elimina crenças limitantes, baseadas em comportamentos passados que não são mais adequados para o momento.”

Defina onde você quer chegar.

Antes de qualquer coisa, é fundamental que a empresa saiba qual é a sua meta, como se imagina no futuro, de forma clara e prática. “Sem um objetivo, pode-se ir pra qualquer lugar, mas isso é como depender da sorte”, afirma o CEO da Verity.

Identifique onde estão os seus gaps.

De forma qualitativa e quantitativa, avalie entre seus stakeholders questões como processos de trabalho, relacionamento interpessoal, engajamento dos colaboradores e, principalmente, como essas pessoas veem a identidade e cultura da empresa. A partir disso, avalie onde estão as falhas.

Escolha uma metodologia.

Pela experiência de Barsi, o mais indicado é o uso de métodos ágeis (Agile), com a participação das equipes de Tecnologia da Informação (TI). Scrum e suas variações são as metodologias Agile mais comuns usadas pelas organizações. “Em organizações ágeis, cada equipe é vista como um negócio em si. Ao dar às equipes e aos funcionários mais liberdade para tomar suas próprias decisões e definir suas prioridades, eles ficam mais voltados para o empreendedorismo e responsáveis por suas ações. Eles se concentram no desempenho e nos resultados, em vez do presenteísmo.”

Meça os resultados.

Defina seus indicadores de performance e resultados, que podem incluir dados como vendas, lucratividade, sugestões e reclamações do cliente ou do funcionário. Faça uma medição periódica para identificar as melhorias. Ver na prática isso ajuda no planejamento estratégico da empresa.

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Fonte: genepme

Alexandro Barsi é sócio-fundador da Verity, além de Investidor Anjo. Possui mais de 20 anos de experiência nas áreas de Gestão, Negócios, Estratégia, Inovação e Tecnologia. Formado em Engenharia de Computação, é pós-graduado pela USP em Gestão de Projetos e Processos. Possui especializações em Skill, Tools e Competencies pela Fundação Cabral e General Management pela Northwestern University – Kellogg School.