Startups: O perigo quando não geram caixa

Após fracasso no IPO da WeWork o sinal de alerta sobre os riscos envolvendo ‘unicórnios’ voltou à pauta do mercado financeiro

O mercado foi marcado nos últimos anos por uma onda de startups. Somente no Brasil o número de empresas que seguem este modelo é de aproximadamente 12 mil, segundo pesquisa apontada Startupbase.

Tal cenário fez com que diversos investidores do mercado financeiro voltassem seu foco para os unicórnios. Avaliadas em US$1 bilhão ou mais, boa parte das startups têm uma particularidade em relação a outros tipos de negócios, mesmo com este valor, elas operam no vermelho.

Um exemplo deste processo são os bancos digitais, que ganharam espaço no mercado, contudo ainda possuem prejuízos consideráveis.

Portanto, o que faz este tipo de negócio ser um atrativo para investidores são sua filosofia voltada para inovação e perspectiva de crescimento exponencial.

Ou seja, diferente de investimentos em renda fixa, os riscos em se investir em startups são maiores, o que faz com que os investidores deste tipo de negócio estudem melhor os bons negócios da área.

Ainda assim o fracasso da oferta pública inicial (IPO) da WeWork após a exposição de diversos problemas de gestão da startup, fez com que um sinal de alerta para investimentos em unicórnios fosse aceso.

Não à toa após o caso, houve um movimento de investidores das fases intermediária e final das startups que passaram a exigir mais garantias.

Isto porque foi exposto que somente o número de clientes e ‘popularidade’ dos unicórnios não basta para que a empresa consiga compensar sua operação no vermelho.

Um caso que exemplifica isto é o da Amazon. Com valor de mercado superior a US$1 trilhão, a multinacional demorou alguns anos para que passasse operar no vermelho. E mesmo se tornando uma gigante mundialmente conhecidas, seu Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, sua Ebitda, segue abaixo de seus concorrentes.

Para diminuir o risco desse tipo de investimento, investidores buscam no fluxo de caixa dessas empresas uma forma de avaliar os reais risco de se comprar ações da mesma.

O Fluxo de caixa pode ser um dos dados mais relevantes no momento de se fazer o valuation da empresa, afinal esses números são importantes para entender o real potencial do negócio.

Ainda assim, outros cuidados são necessário no momento de se analisar as reais chances de crescimento de um unicórnio no longo prazo e, consequentemente, sua valorização no mercado.

Em especial, as startups nacionais estão vivendo um momento peculiar. Isto porque com a baixa na taxa Selic, segundo o Focus a previsão é que a Selic acabe 2020 à 4,5%, um dos menores valores de sua história, mais unicórnios estão conseguindo financiamento, afinal há mais facilidade no processo e as taxas de juros são mais baixas.

Este crescimento faz com que seja necessário maior cuidado na hora de se analisar as reais capacidades das novas startups, principalmente pelas facilidades em se conseguir empréstimos, o que pode camuflar a real situação e potencial do negócio.

Fonte: – Jornal Contábil