Elas no Comando: Andrea Schwarz, a CEO da Diversidade e da Acessibilidade Digital

28/01/2021

 ELAS NO COMANDO  | Por Beatriz Bevilaqua

As empresas do futuro são inclusivas e as que não perceberem isso ficarão pelo caminho ou serão adquiridas


Aos 44 anos, Andrea Schwarz passou metade de sua vida em cadeira de rodas, mas essa condição nunca a limitou de realizar os seus maiores sonhos, como empreender, se casar e ter dois filhos. Na coluna de hoje falamos com uma mulher que superou todos os preconceitos e estereótipos da sociedade para apoiar ainda mais pessoas com as mesmas dificuldades. Uma de suas empresas, a iigual, já ajudou mais de 20 mil pessoas a conquistarem um emprego em mais de 1.000 empresas.

Como empreendedora social ainda hoje ela enfrenta grandes desafios. O maior deles é a falta de valorização pelo trabalho em inclusão. Muitas empresas ainda encaram diversidade e inclusão sob a ótica do assistencialismo. Por outro lado, ela acorda todos os dias motivada por um propósito maior. Afinal sua história de empreendedorismo está totalmente vinculada com sua história de vida.

A sua jornada é de muita superação, amor e empreendedorismo. Confiram essa entrevista que tivemos com essa SUPER mulher.

Qual o maior desafio em empreender na área de impacto social e diversidade? 

Como empreendedora social enfrento todos os desafios comuns a qualquer empreendedor e outros obstáculos adicionais. Creio que o maior deles é a falta de valorização pelo trabalho em inclusão. Muitas empresas ainda encaram diversidade e inclusão sob a ótica do assistencialismo ou, um pouco melhor, da responsabilidade social.

Falta um olhar de valorização da diversidade e um entendimento que uma empresa mais diversa e inclusiva é ótimo para a própria empresa, sob diversos pontos como inovação, felicidade no ambiente de trabalho, conexão com os clientes, melhor performance e produtividade, sensação de pertencimento e humanização da marca, entre outros.

Quando esses pontos ficam claros, a diversidade e inclusão deixam de ser um custo e se tornam investimento. As empresas do futuro são inclusivas e as que não perceberem isso ficarão pelo caminho ou serão adquiridas.

Você é fundadora da iigual Inclusão e Diversidade e agora está também empreendendo com a EqualWeb Brasil, como surgiu a ideia? Quais os planos para 2021?

A iigual surgiu da minha própria vivência quando, aos 22 anos, me tornei cadeirante. Percebi que continuava sendo a mesma Andrea, mas a sociedade passou a me enxergar de forma completamente diferente, enviesada, me colocando diversas limitações e me oferecendo poucas oportunidades.

Entendi que precisava fazer algo para mudar essa realidade e me tornei uma empreendedora social. Hoje, por meio da iigual, já ajudamos mais de 20 mil pessoas com deficiência a conquistar um emprego no mercado formal de trabalho em mais de 1.000 empresas, além de centenas de Programas de Inclusão que ajudamos a estruturar.

Me tornei uma palestrante motivacional com foco na inclusão, na quebra de rótulos, na capacidade de superação e de se reinventar e por meio das redes sociais trago uma mensagem de possibilidades, aceitação e empatia.

Com a pandemia, mais uma vez tive que me reinventar, assim como todos, e foi assim que surgiu a possibilidade de empreender novamente com a EqualWeb, uma tecnologia de acessibilidade digital capaz de tornar qualquer site em um ambiente acessível e inclusivo. Ao aliar tecnologia com inclusão amplia-se exponencialmente a capacidade de gerar impacto social positivo e transformação digital.

Estou muito feliz com essa nova empreitada ainda mais nesse “novo normal” onde o acesso a web se tornou tão essencial. Muitos negócios estão se digitalizando, mas estão esquecendo que cerca de 60 milhões de brasileiros necessitam de um ou mais recursos de acessibilidade digital para acessar os conteúdos.

Como é a sua rotina diária como mãe e empreendedora? Teria alguma dica para as mulheres que desejam abrir o próprio negócio e não sabem por onde começar?

Desde antes da pandemia adotei um modelo de trabalho para mim e para todo o time completamente flexível. Isso significa que todos podem trabalhar de onde quiserem e cada um é responsável pelos seus horários. Saí do escritório tradicional e temos uma sala na Regus, um coworking, onde cada pessoa pode ir trabalhar se e quando quiser.

Percebi que a vida pessoal e profissional estavam completamente misturadas e antecipei a tendência que a pandemia trouxe de trabalho remoto e flexível. Dessa forma é possível para todos conciliar muito melhor seus diferentes papeis pessoais e profissionais e todos ganham muito mais equilíbrio e saúde física e emocional.

Com tecnologia é possível trabalhar de qualquer lugar, fazer menos reuniões ou palestras presenciais, perder menos tempo com deslocamento e dedicar esse tempo extra para seus filhos e sua saúde.

No entanto é necessário ter organização e disciplina porque como empreendedora e mãe trabalho é o que não falta né? Mas tenho sorte de ter um super parceiro ao meu lado, o Jaques, meu marido e sócio na iigual e na EqualWeb que divide todas as tarefas comigo.

Quais livros marcaram a sua jornada e gostaria de compartilhar com as nossas leitoras? 

Não sou muito de livros, mas lembro que um que me marcou muito foi “Feliz Ano Velho” do Marcelo Rubens Paiva, que li antes e depois de me tornar cadeirante.

Amo séries! Nesse ponto posso dar muitas recomendações boas.

As últimas que vi e amei foram “Undoing”, “O Gambito da Rainha”, “Bom dia Verônica”, “Modern Family”, “Suits” e “Tehran”.

Como você se vê no futuro? Qual o real significado da palavra “felicidade” e “sucesso” para você? 

Eu me considero uma pessoa feliz e de sucesso por poder ser quem eu sou, por ter encontrado meu propósito, por ter saúde, por ter minha família e por poder impactar positivamente a vida de tantas pessoas.

Para mim sucesso é isso.

É ser feliz com aquilo que você é, com o que tem e com o que faz.

No futuro me vejo da mesma forma, trabalhando por um mundo inclusivo e com igualdade de oportunidades a todos, mas talvez com uma voz mais forte, mais alta e mais ouvida para que possa ser capaz de influenciar positivamente as mudanças necessárias para que isso aconteça de fato.

Alguma mensagem final para as mulheres leitoras dessa coluna?

Tudo é possível! Minha história me ensinou isso. Que qualquer adversidade pode ser transformada em uma oportunidade e, mais do que isso, que seja uma oportunidade de mudar o mundo para melhor.

Quando se tem um verdadeiro propósito naquilo que se faz ou naquilo que se pretende fazer pode ter certeza que dará certo. Será necessário muita resiliência, persistência e trabalho, mas os esforços serão recompensados.

Acredite sempre em você, se aceite do jeito que você é, dê valor aquilo que você tem e não deixe ninguém te limitar. Você é ilimitada! 

POR: 

Jornalista e colunista do Gene PME // Fala sobre inovação e o universo das startups. Apoia projetos de jovens e mulheres na tecnologia e é uma das apresentadoras no DínamoCast, o podcast de conversas inteligentes sobre a governança das startups. Em 2019 foi eleita a Melhor Profissional de Imprensa do Brasil pelo Startup Awards, principal premiação do ecossistema de startups da América Latina. Siga no Linkedin
Fonte: GenePME
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